Prefeito de Florianópolis tenta reverter afastamento e nega envolvimento em esquema investigado pela PF

Gean Loureiro foi afastado temporariamente das funções de chefe do Executivo municipal por determinação da Justiça.

O político ficou menos de 24 horas preso e foi liberado depois de prestar depoimento. Por enquanto, quem assume o cargo interinamente é o vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB). Segundo o prefeito, nesta quarta-feira a defesa irá até o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre (RS), para tentar reverter a decisão judicial sobre o afastamento da prefeitura.

Loureiro disse que foi liberado porque a PF não viu indícios para mantê-lo preso. A assessoria do TRF4 informou que o desembargador concedeu ao delegado a possibilidade de relaxamento da prisão e a polícia não quis dar informações sobre o caso. Ele também entregou os passaportes para a polícia.

Apuração da PF

Após analisar os materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, a PF apurou que o grupo suspeito naquele caso construiu uma rede com núcleo político, empresários, e servidores da PF e da PRF lotados em órgão de inteligência e investigação, para dificultar investigações em curso. Haveria ainda a intenção de proteger o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas.

A “Chabu” foi deflagrada pela PF na terça-feira e cumpriu sete mandados de prisão temporária em Florianópolis e Porto Alegre (RS). A polícia afirma que as investigações apontaram para crimes como de vazamento de informações sobre operações policiais ainda sem terem sido deflagradas e contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’ à prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

Soltos após interrogatório na terça-feira:

  • Gean Loureiro (sem partido, eleito pelo MDB), prefeito de Florianópolis;
  • Marcelo Roberto Paiva Winter, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), diretor de comunicação do Sindicato dos Policiais Rodoviários de Santa Catarina (SINPRF-SC);
  • Luciano Veloso Lima, que foi secretário da Casa Civil no governo de Eduardo Moreira (MDB);
  • Hélio Sant’Anna e Silva Júnior, delegado aposentado da Polícia Federal;
  • Luciano da Cunha Teixeira.

Outros presos temporariamente até a tarde de quarta-feira:

  • Fernando Caieron, delegado da PF, preso em Porto Alegre (RS);
  • José Augusto Alves, empresário.

Ainda segundo a PF, Caieron passou a noite na PF e será encaminhado hoje ao sistema prisional de Santa Catarina. O sétimo permanece preso na PF em Porto Alegre.

Durante a operação, foram expedidos ainda 23 mandados de busca e apreensão, cumpridos na empresa de tecnologia Grupo Nexxera, em Florianópolis, na Prefeitura da capital, e no gabinete e na casa do prefeito. O processo corre em segredo de Justiça.

Determinações judiciais

As prisões temporárias foram determinadas pelo desembargador Leandro Paulsen, do TRF4.

O magistrado proibiu o prefeito de qualquer contato com outros envolvidos na operação, e determinou que ele tenha o passaporte recolhido e que não saia do estado.

Os investigados também estão proibidos de se comunicarem entre si e de sair do estado. Deverão ainda comparecer ao juízo de Florianópolis mensalmente.

O magistrado proibiu ainda Hélio Sant’Anna e Silva Júnior, Fernando Caieron e Marcelo Roberto Paiva Winter de acessar as dependências de qualquer sede policial, inclusive da PF. E Winter e Caieron tiveram a suspensão do exercício da função pública, sem prejuízo aos vencimentos.

O que dizem os demais investigados

A reportagem não localizou a defesa de Fernando Caieron.

A defesa de Luciano Veloso Lima, Rubens Cabral Faria Junior, disse que o ex-secretário foi pego de surpresa pela operação e prestou depoimento até as 11h30 na Polícia Federal. O advogado ainda diz que prisão “não explicita os delitos e que é arbitrária porque os fatos são frágeis”.

A assessoria de imprensa do SINPRF-SC disse que irá se manifestar sobre a prisão de Marcelo Roberto Paiva Winter depois de ter acesso aos autos. A PRF afirmou que a Corregedoria da instituição busca informações com a PF para se manifestar.

Em nota, a empresa Grupo Nexxera disse que “não sabe do que se trata essa operação, pois é uma fase de investigação e provas” e que vai “contribuir com o que for preciso com as autoridades”.

A defesa de José Augusto Alves disse que analisa do processo e que deve entrar com pedido de soltura no TRF4 ou habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça.

O G1 ainda não localizou a defesa de Luciano da Cunha Teixeira e Hélio Sant’Anna e Silva Júnior.

Por: José Luiz Madeira | Voz Livre
Fonte: G1 SC