Prefeito de Florianópolis Gean Loureiro visita obras após retornar ao cargo

Medidas cautelares foram revogadas na segunda, após uma semana proibido de exercer a função de prefeito. Gean Loureiro foi preso na Operação Chabu em 18 de junho e solto no mesmo dia.

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (sem partido), visitou obras na manhã desta terça-feira (25), após ter autorização da Justiça para retornar ao cargo de chefe do executivo municipal. Na segunda (24), o desembargador federal Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), revogou as medidas cautelares contra ele. Gean chegou a ser preso em 18 de junho e solto no mesmo dia, investigado na Operação Chabu.

O despacho inicial do desembargador Paulsen determinou que Gean ficasse 30 dias afastado da prefeitura. No documento, também foi feito o pedido de prisão temporária do prefeito, e de outras seis pessoas investigadas na operação da Polícia Federal, que apura vazamentos de informações sigilosas de operações policiais. Ele estava com o passaporte recolhido e proibido de falar com outros envolvidos na operação.

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Nesta manhã, por volta das 7h, o prefeito visitou o início das obras do novo asfalto na rodovia Rodovia Haroldo Soares Glavan, no bairro Cacupé. Depois, às 9h40, conferiu a revitalização da rua Coronel Luiz Caldeira, no bairro João Paulo.

Segundo o prefeito, o planejamento de obras não parou durante o período de afastamento dele. “Mesmo com a minha ausência tinha toda uma programação. Agora temos um roteiro de visita às obras, programação nas comunidades. Amanhã já temos um grande evento no Sul da Ilha. Estamos programando visitas em todas as regiões e ainda fechando um novo financiamento de R$ 100 milhões para mais obras da cidade”, disse o prefeito Gean Loureiro.

Decisão de retorno ao cargo

Na decisão de segunda, o desembargador considerou que “nenhum novo elemento surgiu” durante busca e apreensão e determinou o retorno imediato de Gean ao exercício do mandato. O Ministério Público Federal (MPF) fez manifestação favorável ao retorno de Loureiro ao cargo. Já a PF foi contra.

Nesta manhã, o prefeito disse que recebeu a informação sobre a revogação das medidas cautelares com “sentimento de justiça”. “Muito mais que uma decisão para retornar o cargo, o desembargador pontua todos os indícios, demonstrando que eu não tive nenhum envolvimento no processo. Ou seja, foi uma decisão que praticamente traz uma absolvição completa minha nessa relação que eu nunca fiz parte. Me permitiu voltar por cima, de cabeça mais erguida, e com mais vontade de trabalhar”, completa o prefeito.

O prefeito ainda afirma estar tranquilo com a continuidade das investigações. “Todos os indícios apresentados contra o meu nome, o próprio desembargador que vai julgar, já apresentou o ponto de vista. Ou seja, ele deixa claro que nunca existiu qualquer tipo de sala secreta na prefeitura e que outros indícios apresentados não são configurados sobre a minha pessoa e que conversa de terceiros não tinha nenhuma validade sobre o meu nome, já que meu depoimento em confronto com os demais demonstrou que eu apresentou toda a verdade dos fatos”, finaliza.

Operação Chabu

A PF apurou, após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, em agosto de 2018, que o grupo suspeito construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários e servidores da PF e da PRF lotados em setores de inteligência e investigação, com o objetivo de atrapalhar investigações em curso. A ideia era proteger os políticos envolvidos em troca de vantagens financeiras e políticas.

O prefeito ficou menos de 24 horas preso e foi liberado após prestar depoimento. Durante o afastamento de Loureiro, o vice-prefeito, João Batista Nunes (PSDB), assumiu interinamente. Além do prefeito, também são investigados empresários e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Todos os presos já foram soltos.

Além de vazar informações, o grupo é suspeito de contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’ à prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas, segundo a PF.

Os investigados são suspeitos de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

O nome “Chabu” significa dar problema, dar errado, falha no sistema, usado comumente em festas juninas quando falham fogos de artifício. Conforme a PF, o termo era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a ocorrer.

Por: José Luiz Madeira | Voz Livre
Fonte: G1 SC